Um espetáculo majestoso e natural de morros, montanhas
e picos. Aqui desabam as nuvens pesadas que vem do litoral formando o
olhos d´água, riachos e rios a céu aberto ou subterrâneos. As águas
percorrem a terra, leitos de pedra e, serra abaixo, desabam em belíssimas
cachoeiras
como
a Cachoeira da Fumaça, cerca de 380 metros de
queda livre, no Município de Palmeiras, onde fica o Vale do Capão. Ainda
em Palmeiras encontramos o Morro do Pai Inácio, associado a amores
proibidos
dos tempos dos escravos, ou emblemáticos como o do Camelo e o Morrão que
são formações rochosas belas por si mesma. Poços surpreendentes como o
Encantado e o Azul que tem a luz
refletida pelos vários minerais presentes na água, principalmente o
magnésio, criando um espetáculo único dentro da caverna que tem suas águas
transparentes. Entre os meses de abril e
setembro
o fenômeno fica ainda mais interessante por causa do alinhamento da fenda
com o sol que faz com que os raios de luz atinjam o fundo do poço e se
reflitam no teto da caverna. E ainda encontramos na Chapada Diamantina as
cavernas do Parque Espeleológico de
Iraquara que constituem uma das maiores redes subterrâneas do Brasil.
Em Lençóis chegamos ao centro urbano desta terra. O
ambiente casaril remete o tom mineiro da escravidão extrativa, à sua
origem baiana rural liga a mineração ao recôncavo agroindustrial. O acervo
arquitetônico da cidade, tombada pelo patrimônio histórico, é coisa rara:
testemunho de riqueza em meio ao Brasil imperial, que contrasta com
outras cidades baianas - da própria Chapada Diamantina como Rio de Contas, Mucugê,
Andaraí e Igatu - cidades e distritos ligados pelo mesmo impulso da
economia das lavras, o garimpo de diamantes, antes do fim do século
passado, e carbonatos após a entrada deste século - formam um conjunto
harmônico e representativo do modo de vida daquela gente cuja o centro de
tudo era a pedra rara: áreas urbanas ora belas e conservadas, ora
esvaziadas e esquecidas.

Nessa
região de planícies, serras altas e montanhas, pesadas chuvas entre os
meses de dezembro e março asseguram a variedade da vegetação. A flora da
Chapada Diamantina é
constituída
de várias espécies endêmicas de orquídeas que brilham à parte, entre a
rica e diversificada reserva botânica que tem ensejado pesquisas e ampla
documentação iconográfica.
Por tudo brilha essa paisagem de um Brasil silvestre e
desconhecido. Brilha de forma exuberante nas cores do beija-flor
gravatinha vermelha, pássaro raro, jóia da fauna chapadista do sertão.
Tamanduá-mirim, periquitos e macacos são um forte argumento pelos que
lutam pela preservação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, reserva
ecológica permanentemente sitiada.
Nos cumes e baixios das serras existem muitas áreas
inacessíveis e remotas, redutos de gatos selvagens, quatis, mocós,
maleiros, cachorros do mato, capivaras, raposas, jacarés, cobras e aves.
